10 filmes dececionantes com super-heróis (Parte II)

Super-heróisRelembrando que este artigo não pretende ser um Top 10 dos piores filmes de super-heróis já realizados, mas antes uma listagem das produções do género que não sendo sofríveis também não encheram as medidas aos fãs, apresento-vos mais 5 exemplos de montanhas que pariram ratinhos. Preparem-se para algumas surpresas…

6- Homem-Aranha 3 (2007)

Spider-man 3 2007À semelhança do que se verificou com O Cavaleiro das Trevas Renasce na trilogia do Batman dirigida por Nolan (ver primeira parte do artigo), esta terceira fita do Escalador de Paredes teve a ingrata tarefa de suceder àquele que é por muitos considerado um dos melhores filmes de super-heróis de sempre.

Nem só com grandes poderes vêm grandes responsabilidades; sucessos monumentais acarretam responsabilidades a condizer. Submerso por uma turba de vilões, Homem-Aranha 3 não esteve claramente à altura dessas responsabilidades; tão-pouco das expectativas dos fãs. Com estas a serem alimentadas não só pela excelência do filme anterior, como também pela inclusão de Venom na sequela.

No entanto, o simbionte alienígena acabaria por vampirizar mais a história, do que propriamente os seus hospedeiros. Nos longos trechos do filme em que Peter Parker surge possuído por ele, o tom foi sempre mais cómico do que dramático. Falhando assim Sam Raimi em captar o terror inerente à sinistra metamorfose operada em Parker devido ao seu contacto com a viscosa criatura.

Outro calcanhar de Aquiles da película, responsável em grande medida pelo desmoronamento da franquia, foi a opção pelo Homem-Areia – adversário de segunda linha do Homem-Aranha na BD – para antagonista principal do herói. Para já não mencionar a introdução de uma Gwen Stacy totalmente fora do contexto.

Com tantos pesos-mortos, a teia acabou por não resistir e rebentou, deixando a franquia cair com estrondo.

7- Hulk (2003)

Hulk 2003Em pleno boom das adaptações de super-heróis ao cinema, o filme do Golias Esmeralda dirigido por Ang Lee ambicionava replicar o êxito de outras produções dos Estúdios Marvel, como X-Men (2000) e Homem-Aranha (2002).

As coisas começaram, porém, a descambar quando Ang Lee transformou o Hulk numa espécie de Shrek anabolizado. Se na banda desenhada quanto mais furioso, mais forte o gigante verde se torna, no cinema o seu tamanho aumentava na mesma proporção da sua raiva. Não satisfeito – e certamente influenciado pela série televisiva de culto dos anos 1970-, o realizador justapôs elementos exagerados numa trama que girava em torno da relação turbulenta de Bruce Banner com o seu abusivo pai.

Convertida assim num psicodrama familiar, a história tem no progenitor de Bruce o vilão de serviço. Muito pouco para um gigante irradiado de força virtualmente ilimitada e para uma película que se revelaria um colosso com pés de barro.

8- Homem de Aço (2013)

Homem de Aço 2013Mesmo vários furos acima de alguns dos títulos desta lista, a mais recente incursão cinematográfica do Último Filho de Krypton foi uma das maiores deceções dos últimos anos.

Após uma tentativa frustrada de ressuscitar uma franquia órfã de Christopher Reeve com o injustamente vilipendiado Super-Homem, o Regresso (2006), a DC apostou forte num reboot.

Zack Snyder fez uma abordagem controversa ao herói, conferindo-lhe uma essência mais sombria, ao ponto de o converter numa variante superpoderosa do Batman. Desvirtuada a natureza esperançosa da personagem, a história pecou também por um registo excessivamente violento. À destruição massiva de Metrópolis, somou-se, para estarrecimento geral, a execução sumária de Zod às mãos do Homem de Aço.

Narrada através de flashbacks, a trama perde fluidez e consistência. A mesma consistência que faltou a Lois Lane (uma Amy Adams quase tão insossa como Kate Bosworth), reduzida a pouco mais do que uma figurante na vida do herói alienígena à procura das suas origens e do seu lugar no nosso mundo.

Com o tão aguardado Batman versus Superman: Dawn of Justice (com estreia prevista para 2016), Zack Snyder terá uma segunda oportunidade para emendar a mão. Veremos se terá arte e engenho para o fazer.

9- Demolidor (2003)

Daredevil 2003Dirigida por Mark Steven Johnson, a primeira longa-metragem do Homem Sem Medo surgiu na esteira do sucesso galopante da franquia dos X-Men. Várias estrelas em ascensão – incluindo o próprio Ben Affleck – abrilhantavam o seu elenco e o enredo incluía vários elementos das histórias originais do justiceiro cego. Estando, portanto, teoricamente reunidas todas as condições para um blockbuster.

Da teoria à prática vai, porém, um mundo de distância e os espectadores foram brindados com uma deriva narrativa acentuada por atuações medíocres de atores que pareciam pouco confortáveis nos respetivos papéis. Donde resultou um filme amorfo, muito por culpa também dos fracos efeitos visuais.

Apesar de a produção de uma sequela ter ficado irremediavelmente comprometida, este Demolidor gerou, um par de anos depois, um spin-off ainda mais deslavado estrelado por Elektra. Claro que por essa altura os fãs já não esperavam grande coisa, tal era o seu desapontamento.

10 – Lanterna Verde (2011)

Lanterna Verde 2011É difícil julgar se o filme do Gladiador Esmeralda foi mais dececionante para os fãs ou para o estúdio que o produziu, dado o seu colossal investimento financeiro no projeto.

Amplamente fustigada pelo público e pela crítica, a fita pretendia dar o pontapé de saída para a unificação do universo cinemático da DC. Acabando, no entanto, por meter a bola na própria baliza.

À imagem do que se passa numa cozinha onde se amontam mestres de culinária a confecionar o mesmo prato, Lanterna Verde foi vítima das muitas edições e reedições executadas por demasiadas mãos. O resultado final foi uma mixórdia em tons esverdeados que a maior parte dos fãs considerou intragável.

Ao invés do que é habitual neste tipo de produções, não houve uma tentativa de humanizar a mitologia do herói por forma a torná-la mais credível aos olhos do grande público. Pelo contrário, o filme mergulha de cabeça na banda desenhada em que é baseado. Mas isso é bom, certo? Não neste caso, infelizmente.

Vermos Hal Jordan a confraternizar com milhares de outros lanternas verdes em Oa logo a meio da história foi prematuro demais. Nem tudo foi mau, porém. Os fantásticos efeitos especiais distraem-nos dos muitos buracos da narrativa e Sinestro captura o ecrã com o seu carisma sinistro (perdoem-me o trocadilho).

Voltar para a primeira parte.

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2 thoughts on “10 filmes dececionantes com super-heróis (Parte II)

  1. Ricardo Costa
    14 de Junho de 2015 at 21:00

    O Green Lantern não foi uma decepção… foi um desastre em quase todos os aspectos. Antes da estreia do filme ainda li algumas BDs que me fizeram muito interessado na personagem (Green Lantern Rebirth e a saga Blackest Night) e o resultado foi quase insultuoso… já para não falar na quantidade de dinheiro que o estúdio enterrou no filme.

    1. 15 de Junho de 2015 at 11:13

      Deceção, fiasco, flop… Resume-se tudo a uma questão de semântica quando toca a classificar uma produção milionária que logrou a proeza de falhar em toda a linha. Sou fã incondicional do Lanterna Verde (e, em particular, de Hal Jordan, sua versão da Idade da Prata), personagem que considero detentora de enormes potencialidades cinematográficas. Saí, por isso, com um nó na garganta e um vazio no estômago do cinema, depois de assistir ao seu achincalhamento em 3D. O que poderia ter sido o primeiro capítulo de uma franquia bem-sucedida, precursora da unificação do Universo Cinemático da DC, descambou numa paródia de mau gosto, onde apenas o vilão e os efeitos visuais se salvam. Merecia mais respeito o Gladiador Esmeralda. E os espectadores também.

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