A Visita por Ricardo Costa

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Sinopse: Dois irmãos vão visitar os avós numa remota quinta, na Pensilvânia. Quando descobrem que o casal de idosos parece estar envolvido em algo profundamente perturbador, vêem as suas hipóteses de regressar a casa a diminuírem de dia para dia.

Análise: M. Night Shyamalan tem um dos percursos de carreira mais interessantes da industria. Anteriormente reverenciado como “O Próximo Spielberg” após realizar grandes êxitos como “O Sexto Sentido”, “O Protegido” e “Sinais”, a sua fama entrou em declínio após o filme “A Vila”, onde já se verificavam indícios de imperfeições nos seus argumentos e realização, algo que ficou evidente nos quatro filmes seguintes: “A Senhora da Água” é um conto de fadas para adultos incoerente do ponto de vista visual e escrito chegando por vezes a ser pretensioso, “O Acontecimento” acabou no panteão dos piores filmes da década devido aos supostos momentos de terror terem sido vistos pela audiência como momentos cómicos não intencionais, “O Último Airbender” está recheado de péssimas atuações e sem qualquer respeito à propriedade intelectual em que se baseia e finalmente “Depois da Terra ” onde a falta de química entre Will Smith e Jaden Smith, fazem pior um filme que já por si só é bastante aborrecido. Eis que chega “A Visita” que promete (mais uma vez) ser o regresso a forma de Shyamalan e embora o resultado não seja perfeito, é claramente superior a qualquer coisa da sua autoria que tenha saído na última década… o que não é dizer muito, mas vale o que vale.a-visita-2

Filmes de terror e comédia tendem a dividir a audiência na sua apreciação, muito por causa da inerente realidade de que o que mete medo a uma pessoa, pode não meter medo a outra, tal como o humor. Já este filme, é um híbrido desses dois géneros e uma possível admissão de Shyamalan de que “O Acontecimento” deveria ter sido mais trabalhado nesse âmbito, porque em termos de humor, “A Visita” cumpre as expetativas. Há bastante suspense na certa, muito graças a Deanna Dunagan que sabe exatamente o tipo de filme em que está e é excelente no seu papel de avozinha com expressões de demência mórbida e linhas de diálogo que nos deixa a pensar se ela terá mesmo dito aquilo que disse, mas quando chega o momento em que o suspense deveria culminar em momentos mais aterrorizantes, em cerca de metade das vezes, corta para a próxima cena, sem qualquer aviso. No entanto, menção especial também aos jovens atores, cada um com a sua personalidade bem definida e que dão prestações bastante satisfatórias, até ao momento em que têm oportunidade de escapar ao seu perigoso infortúnio e preferem documentar mais um pouco da sua jornada ao invés de salvar as próprias vidas.

Nos aspetos técnicos, posso dizer que não sou fã do género de filmagem popularizado por filmes como [REC] e Atividade Paranormal, o chamado “found footage“, em que são as personagens intervenientes que se encarregam de filmar tudo o que vemos, e que na maior parte das vezes é usada como uma técnica para esconder o baixo orçamento das produções, agitando a câmara para obscurecer as imperfeições, mas neste caso a câmara é bastante estável e mesmo quando não o é, existe um bom sentido de geografia pois nesses momentos apercebemo-nos exatamente do que se está a passar. Considero uma mais valia enorme o facto de que todos os sons que ouvimos, serem emitidos pelas personagens e/ou pelo o ambiente onde as mesmas se encontram. Nada de sons ridiculamente altos e artificiais com o único propósito de fazer saltar a audiência da cadeira, pois esses já popularmente denominados “jump scares“, estão praticamente ausentes da película, salvo dois momentos e mesmo nesses casos os sons são orgânicos do ambiente e ambos têm um propósito bem latente.

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Recomendação Final: Este é um daqueles filmes difíceis de recomendar por motivos já acima explicados. Mas posso dizer que embora os momentos de terror não sejam tão frequentes quanto necessitavam e algumas decisões das personagens nos deixem a coçar a nossa incrédula cabeça, tem bons momentos cómicos, bons atores, competente composição sonora e a tradicional revelação típica de Shyamalan, terá grande efeito nas pessoas que apanhar de surpresa. Mais uma prova de que o realizador deve abandonar o seu ego e seguir em frente com pequenas produções, de modo a revigorar a sua carreira. Esperemos que este seja um bom retorno à forma.

Classificação final: ★ ★ ★ (3/5)

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