Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça por Ricardo Costa

batman v super-homem posterSinopse: Temendo a imprevisibilidade das ações de um poderoso Super-Herói, o protetor e vigilante de Gotham City decide enfrentar o salvador de Metropolis debate que tipo de herói realmente necessita. E com o Super-Homem (Henry Cavill) e o Batman (Ben Affleck) em guerra, uma nova ameaça emerge colocando a humanidade na sua mais perigosa situação de sempre.

Análise: Este é dos difíceis… Quando um filme não tem ponta por onde se lhe pegue é fácil escolher os alvos, assim como no caso de ser uma agradável surpresa, é simples exultar os aspetos favoráveis, agora quando existem coisas para se adorar e coisas para se odiar, a tarefa torna-se complicada. É neste pé que me encontro com Batman v Superman: O Despertar da Justiça. A expetativa para o filme era enorme e sendo eu um fã incondicional das duas personagens titulares, não é fácil para mim distanciar-me da subjetividade adicional que tal afeição acarreta, no entanto farei um esforço para que a minha opinião reflita o meu ponto de vista cinematográfico e aquilo que este filme representa no seu contexto atual. Com a MARVEL Studios perto de entrar na última fase do seu incrivelmente bem sucedido universo e a Twenty Century Fox a aproveitar ao máximo os X-Men (juntamente com o inesperado êxito de “Deadpool“), a Warner Brothers, que detém os direitos de todo o catálogo da DC Comics, está com sérios problemas em lançar no cinema qualquer coisa que não tenha “Batman” no título. Depois do desastre que foi “Lanterna Verde e a receção mediana de “Homem de Aço , este seria o filme não só para reavivar a chama da DC como também a rampa de lançamento para o seu universo cinematográfico à semelhança da MARVEL. No entanto embora o resultado de bilheteira seja inegavelmente fantástico, o mesmo não pode ser dito da qualidade do filme propriamente dito.

Em primeiro lugar, ao contrário de muitos puristas das bandas desenhadas, não sou contra o tom mais sombrio das recentes adaptações da DC, visto que ao longo dos tempos ambas as personagens estiveram em ambos os extremos do espetro nos quadradinhos e acredito na liberdade para moldar a propriedade intelectual, desde que sejam mantidos os traços característicos mais importantes. No caso de Batman, os fãs do Cavaleiro das Trevas que fiquem descansados, pois a personagem é tratada com o devido respeito. Uma introdução rápida e concisa resume o passado do herói e logo a seguir encontramos-nos a seguir Bruce Wayne durante a catástrofe de Metropolis originada pelo confronto entre Zod e Kal-El, onde vários conhecidos e subordinados são vitimados, sob o olhar impotente do filantropo de Gotham, o que origina uma antagonização credível para com o último filho de Krypton. Ben Affleck dá corpo e voz a uma versão do Batman baseada na obra de Frank Miller notoriamente mais agressiva e o ator encarna a personagem com grande responsabilidade e supera as expetativas, ostentando aquele que possivelmente será o melhor fato das adaptações cinematográficas do Homem Morcego. Fossem os outros aspetos tratados com igual atenção e poderíamos ter em mãos um clássico do género, no entanto o argumento inconstante tem a tarefa de desenvolver cinco histórias em simultâneo sem encontrar um equilíbrio entre elas e com isso vários aspetos do filme sofrem.

Jesse Eisenberg faz o melhor que pode no papel de Lex Luthor e aplaudo a tentativa de trazer um novo ângulo para o clássico arqui-inimigo do Homem de Aço, no entanto a personalidade extrovertida e insana parece por vezes uma desculpa para que não sejam claramente explicados os motivos do vilão. A Mulher Maravilha gera também alguns sentimentos dispares. Embora seja de louvar o aparecimento de um super-herói do sexo feminino no cinema que terá direito a uma saga de filmes por si protagonizados, o filme beneficiaria imenso da sua excisão, não só por merecer ter a sua origem contada num filme somente dedicado a si, como também ao facto da inclusão apenas servir para introduzir a futura Liga da Justiça de maneira muito pouco subtil. Sem revelar nada sobre o filme, digo apenas que enquanto o estúdio rival coloca várias pistas em segundo plano ou no final dos créditos para não interromper a história a ser contada, alguém achou por bem parar literalmente o filme para mostrar três trailers do Flash, Aquaman e Cyborg como futuros filmes do estúdio, sendo esse o culminar da história paralela e da única razão pela qual a Mulher Maravilha foi incluída no filme. Infelizmente não há muito a dizer sobre o Super-Homem, ele limita-se a questionar-se se as suas ações serão o melhor para a humanidade, depois salta de cenário em cenário com um ar triste e ás vezes chateado até chegar a hora de enfrentar Doomsday, que tem mais em comum com um troll do Senhor dos Anéis do que com o homónimo monstro da icónica história do Homem de Aço.

No que diz respeito aos aspetos técnicos, a banda sonora possui algumas músicas que destoam da ação (particularmente com a introdução da “Mulher Maravilha”) e no início várias cenas são editadas de uma forma pouco cuidada, algumas com a duração inferior a um minuto onde é feito um corte para outra cena num local completamente diferente também de curta duração sem qualquer filmagem panorâmica, com o intuito de transmitir elevada quantidade de informação num curto espaço de tempo. Se os efeitos especiais e sentido de geografia eram bastante bons em “Homem de Aço”, tendo em conta que em certos momentos sentíamos que estávamos a voar ao lado do herói, neste filme os efeitos especiais são de semelhante qualidade mas tornam-se confusos na batalha final. O espetáculo de luzes que envolve Doomsday é por vezes desnorteante e a câmara não acompanha certas personagens para demonstrar o quão rápido se movem sendo abandonado qualquer sentido de localização espacial, quando momentos antes, na batalha entre as duas personagens titulares, houve muito maior atenção a esses detalhes técnicos o que resultou numa batalha mais atrativa e catártica.

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Recomendação Final: Quem possui maior tolerância aos efeitos especiais excessivos e a alguns pormenores técnicos ou lacunas no argumento, tem muito para gostar em Batman v Super-Homem, especialmente na caracterização quase perfeita do Homem Morcego e na estética visual, no entanto à medida que o filme avança pelas suas extensas duas horas e meia, é revelado que existe demasiadas dispersão no argumento. As motivações de algumas personagens não são fundamentadas, efeitos especiais desnecessários na batalha final e a inclusão da Mulher Maravilha deveria ser reservada para outro filme assim como as referencias à Liga da Justiça. Continuo esperançoso pelos próximos filmes no entanto o patamar requerido deste filme não foi atingido, a solução passava por simplificar o conceito e a qualidade estaria assegurada.

Classificação final ★ (2/5)

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