Capitão América: Guerra Civil por Ricardo Costa

guerra_civil_poster1Sinopse: Steve Rogers lidera a recente equipa formada de Os Vingadores, num esforço contínuo de salvaguardar a humanidade. Mas após outro incidente envolvendo a equipa resultar em danos colaterais, aumenta a pressão política para se instalar um sistema de responsabilização, dirigido por um membro do governo, para supervisionar e dirigir a mesma. O novo status quo divide Os Vingadores quando Tony Stark decide apoiar o regulamento.

Análise: Confesso que começa a ser assustador o panorama da MARVEL no aspeto em que não conseguem lançar um filme mau no seu universo cinematográfico. Todos os 13 filmes agora têm ido do suficiente ao excelente e não parecem abrandar na qualidade. Os irmãos Russo foram os realizadores do último filme do Capitão America que é por muitos considerado o melhor do franchise até agora e regressam para adaptar a celebre saga “Guerra Civil” escrita por Mark Milard (autor de Kick Ass e Kingsman). Resumidamente, a história começa com um grupo de super-heróis amadores numa missão que corre mal e gera a morte de centenas de inocentes. O governo decide que deve existir um maior controlo e cria a Lei do Registo no qual todos os detentores de super-poderes devem revelar a sua identidade ao público e estar ao serviço do governo. Tony Stark fica do lado do registo após interagir com a família das vítimas e concordar com o maior controlo , enquanto que Capitão América teme que a revelação das identidades possa fragilizar a posição dos heróis e por em risco todos os familiares e amigos dos mesmos. Esta é a base para o confronto de ideologias entre os dois titulares e embora pouco tenha sido adaptado da Banda Desenhada, mais uma vez estamos perante mais um sucesso da MARVEL Studios.guerra_civil_pic3
Devido ao facto do universo cinematográfico, em comparação com a BD, não possuir centenas de personagens com igual número de identidades secretas (pois nos filmes quase todas as identidades dos super-heróis são do conhecimento geral), era óbvio que teria de existir uma transição do foco das identidades para o caso do controlo a ser impingido aos heróis. Já os acordos são originados devido a uma missão cumprida com algumas vítimas civis em conjunto os acontecimentos de filmes anteriores que terão gerado semelhantes danos colaterais. Robert Downey Jr. mostra-nos um Tony Stark bastante diferente das passadas iterações, retendo o carisma e ironia a que estamos habituados, no entanto um lado mais negro assolado pela culpa vem novamente ao de cima causando efeitos negativos sobre a sua personalidade mais liberal. Steve Rogers mantém o seu inflexível código moral e o ator que lhe dá vida tem uma prestação contínua que coaduna com o seu caráter de não conseguir evitar atuar em prol do bem maior dos que o rodeiam, mesmo que possa custar a sua vida. Estando todos os heróis por nós conhecidos sujeitos aos acordos governamentais, as várias personagens começam a gravitar para um dos dois lados, quer seja por motivos pessoais ou por direto recrutamento.

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É de referir que o filme emana uma energia mais semelhante aos Vingadores do que propriamente um filme independente do herói americano e nesse aspeto consegue também aprofundar aquela que é talvez a temática mais adulta de todos os títulos lançados até à data, nos sentido em que, durante toda a ação que temos vindo a apreciar todo este tempo, estava a ocorrer em segundo plano a morte de vários inocentes… todo o acto, por mais bem intencionado que seja, não é automaticamente isento de culpa da consequência. O argumento faz um grande trabalho a convencer-nos da existência da rivalidade e da dualidade de motivações, criando um confronto credível entre todas as personagens e é de tal forma bem trabalhado que nos esquecemos do tradicional calcanhar de Aquiles dos filmes da MARVEL… o vilão. Sem entrar em detalhes, posso apenas dizer que embora o ator esteja realmente ao nível do seu papel, as suas motivações são superficiais (embora compreensíveis), o plano é demasiado complexo beneficiando de alguma fé no ocaso e qualquer arco emocional atingido pelas personagens derivado desse plano, poderia ser conseguido por outros meios. Resumindo: não prejudica muito a qualidade do filme mas também não deixa de ser pouco memorável. Memorável é a adição de um herói que à muito os fãs desejariam ver no universo cinematográfico da MARVEL e que até agora não seria possível devido a direitos de produção, mas graças à crassa inaptidão da SONY em produzir um filme nos últimos anos que fizesse jus ao legado da personagem, o estúdio viu-se obrigado a fazer uma parceria com a MARVEL e aqui temos neste universo uma das personagens mais adoradas de sempre: O Homem-Aranha.

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Tom Holland foi o ator escolhido para o papel de Peter Parker. A sua introdução é rápida e vai direita ao assunto com alguns toques importantes para que possamos saber em que momento da vida se encontra esta nova personagem, sem perder tempo com a história de origem que já por várias vezes vimos representada. O Homem-Aranha é uma grande mais valia em todo o filme, com um fato fiel ás primeiras iterações nos quadradinhos e uma personalidade divertida com um toque de ingenuidade, embora pouco tenhamos visto, está confirmado que a personagem está num bom caminho. O mesmo sucede com Pantera Negra, muito antes do seu filme a solo, já conta com um arco de personagem completo num filme que já tem tanto para tratar e mesmo nesse aspeto, é bem sucedido. No que diz respeito aos aspectos técnicos, a banda sonora continua consistente e adaptável a cada situação com é hábito nos filmes do estúdio, os efeitos visuais também estão bastante bem aproveitados. No entanto em termos de coreografia de combate, o filme peca bastante no controlo da câmara nas cenas de ação iniciais. Não é novidade que grande parte dos atores não têm estofo para cenas de combate e que é essencial esconder esse facto, mas é escusado filmar com a câmara em constante movimento vertiginoso que quase dá a sensação que está presa por elásticos quando se retratam essas cenas. No entanto com o avançar do filme é abandonado esse estilo de filmagem, especialmente nos confrontos finais e num momento sensivelmente a meio da narrativa onde tem lugar uma enorme batalha campal entre os heróis e que será o deleite de todos os fãs na audiência.

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Recomendação Final: Conceitualmente é um filme muito bem conseguido que pega na propriedade intelectual e adapta-a com sucesso ao universo cinematográfico já estabelecido. Fora alguns pormenores técnicos ao nível do trabalho de câmara e um vilão pouco memorável, nenhum desses pontos influencia muito a qualidade final do filme, que possui vários momentos dedicados aos fãs mas também aos que não sendo conhecedores da mitologia, tem acompanhado os sucessivos sucessos de um estúdio que teima em não conseguir falhar.

Classificação final ★ ★ (4/5)

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