Perdido em Marte por Ricardo Costa

perdido-em-marte-1Sinopse: Durante uma missão tripulada a Marte, o Astronauta Mark Watney (Matt Damon) é dado como morto após uma tempestade e deixado para trás pela sua tripulação. Mas Watney sobreviveu e encontra-se preso e só num planeta hostil. Com escassos mantimentos, ele terá que contar com a sua criatividade, inteligência e espírito de sobrevivência para encontrar uma maneira de enviar para a Terra um sinal de que está vivo. A milhões de quilómetros de distância, a NASA e uma equipa de cientistas internacionais trabalham incansavelmente para trazer Watney de volta e o mundo une-se por uma causa – o seguro regresso de Watney.

Análise: Ridley Scott regressa em grande ao seu género de eleição, em torno do qual construiu uma das mais sólidas carreiras existentes em Hollywood. A cultura popular expandiu com o surgimento inesperado de  Alien – O 8.º Passageiro, que se tornou num marco também do cinema de terror, sendo revisitado décadas mais tarde com Prometheus, que embora não tenha sido o sucesso critico que todos esperavam, ninguém pode negar que é visualmente esplendoroso e onde se nota a afeição imensurável do seu criador, passando por Blade Runner: Perigo Iminente que é simplesmente um dos melhores filmes de pura ficção cientifica alguma vez feitos. Nos últimos anos tem ocorrido um ressurgimento deste tipo de filmes e neste caso é quase inevitável não falar sobre Interstellar até porque Matt Damon e Jessica Chastain também aí interpretam personagens o que pode causar confusão visto o mesmo ser tão recente. No entanto, é com grande alivio e orgulho que vos digo: fiquem descansados, porque o novo filme de  Ridley Scott é um dos melhores filmes do ano e ao contrário do filme de Christopher NolanPerdido em Marte é perfeitamente adequado a todas as audiências, com ciência, ficção, suspense e por mais estranho que pareça… bastante divertimento.

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Logo nos momentos iniciais, vêm à memória uma certa prequela feita pelo realizador à uns poucos de anos, no entanto essa sensação dá lugar a uma certa reverencia quando contemplamos pela primeira vez as paisagens desérticas de Marte que se estendem pelo horizonte dando à película um realismo quase avassalador. Também o design da estação espacial é alvo de atenta apreciação, muito reminiscente de 2001: Odisseia no Espaço, os tons brancos que contrastam com o vazio negro do espaço do lado de fora e a combinação de uma cinematografia espectacular e uma edição profissional fazem a toda a hora saltar à vista pormenores que revelam a excelência do trabalho de realização. No contexto cientifico, a mecânica das viagens espaciais é abordada de uma forma bastante linear e pouco complexa sempre com o cuidado de ser acessível sem correr o risco de ser redutora, o que faz com que qualquer pessoa fique completamente inteirada dos planeamentos em questão, mesmo sem deter conhecimentos específicos sobre os assuntos referidos.

Matt Damon é uma das principais razões pela qual o filme funciona tão bem, a personagem de Mark Watney possui um estado de espírito que é o completo oposto do tipo pessoa que normalmente associaríamos à situação, ele é na verdade a personificação do otimismo e o ator dá uma prestação fenomenal baseada também num argumento inteligente, mas que de maneira alguma parece complexo de tão acessível que é. Todos os outros atores fazem um belo trabalho nos seus papeis secundários com menção especial de Chiwetel Ejiofor que a par com a personagem principal, ajuda a dar ênfase a uma das melhores qualidades do filme, o seu sentido de humor. Desde referencias à cultura popular, comédia física, passando por irónicos momentos musicais, é uma agradável surpresa ver um filme sobre uma temática tão séria relacionada com o isolamento, ser tão esperançoso, inspirador e com a garantia de renovar o interesse dos mais novos na área das ciências. 

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Recomendação Final: Um filme de Ficção Científica que é surpreendentemente para todos os gostos, com uma personagem principal inteiramente adorável com a ajuda de um fantástico argumento, cenários marcianos de elevada qualidade, impecável realização, bases cientificas bastante credíveis e escolhas musicais que encaixam na perfeição com um inesperado sentido de humor bem trabalhado e que acerta em quase todos os momentos. Da minha parte… uma vénia ao saudoso regresso à forma de Sir Ridley Scott.

Classificação final: ★ ★ ★ ★ ★ (5/5)

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