Deadpool: por Ricardo Costa

Deadpool-poster-2Sinopse: Wade Wilson (Ryan Reynolds) é um ex-militar que leva uma vida de mercenário numa relação com a sua cara-metade Vanessa (Morena Baccarin) até ser diagnosticado com uma doença em estado terminal, porém existe a possibilidade de uma cura através de uma experiência que se revela traiçoeira e acaba por lhe conferir poderes de regeneração a custo do seu aspecto físico. Agora munido do seu novo poder e de um sentido de humor fora do normal, vai perseguir o responsável pelo programa que o criou, mas há muito mais em jogo do que apenas a sua aparência.

Análise: Deadpool teve a sua estreia no cinema através do filme “X-Men Origens: Wolverine” onde Ryan Reynoldss fora também o ator a vestir a pele da personagem que é até hoje considerado o alvo do maior revisionismo ao transitar da Banda Desenhada para o grande ecrã e por isso também alvo de enorme desagrado por parte dos fãs. Para alem de terem mudado o seu visual, atribuído mais 4 poderes que nada têm a ver com a propriedade intelectual e removido a característica de fala-barato pela qual mais é conhecido, todas essas alterações acabaram por piorar um filme que por si só já possuía um péssimo argumento (cortesia de David Benioff e Skip Woods), que acabou por alienar o restante público. Devido à pobre receção do filme em 2009, a personagem Deadpool foi dado como inviável para uma nova iteração no cinema. Até que em 2014, inexplicavelmente surgiram na internet 2 minutos de filmagens de teste criadas a computador para simular uma cena de um filme com “Deadpool” no papel principal onde Ryan Reynolds também cedeu a sua voz. A fidelidade na reprodução da personagem era tal e o humor tão inconsequentemente divertido, que embora o vídeo tenha sido eliminado várias vezes devido aos direitos de autor pertencentes à 20th Century Fox, o mesmo era constantemente publicado e partilhado pelas redes sociais. E assim esses 2 minutos conseguiram vários milhões de visualizações em poucos dias por todo o mundo, e a critica era unânime… estava fenomenal. O estúdio rendeu-se ás evidências para oficializar a produção do filme e à cruzada de Ryan Reynolds para que o filme obtivesse a classificação “R” (para maiores de 18 anos) a fim de fazer justiça á personagem. No fim de tudo aqui está o resultado e ao fim mais de 10 anos de espera e sem grande surpresa… está igualmente fenomenal.

Poucos são os filmes que ao fim dos créditos iniciais já tem a audiência a chorar de tanto rir, e é isso mesmo que acontece com “Deadpool”. Ryan Reynolds vai pôr muitos produtores a coçar a cabeça tendo em conta os anos em que o potencial cómico deste ator foi desperdiçado em prol de romances superficiais e ficções insípidas, porque neste filme é notório que o divertimento reina na sua atuação, algo que já não se via desde os tempos de “Van Wilder – Sempre a Abrir” à quase 15 anos atrás. O humor é mordaz, sórdido e infantil, por isso não é o filme ideal para quem se ofende facilmente, mas a verdade é que essa comédia é elevada acima do divertimento banal e por isso uma vénia para os responsáveis pelo argumento porque no meio de todo esse humor propositadamente imaturo, existem muitas piadas bastante inteligentes e toda a comédia é bastante diversificada, desde comédia física a piadas casuais, grandes doses de innuendo, referencias a outros filmes, sátira ás convenções de Hollyhood, ataques à cultura popular e constantes “quebras da 4ª parede” (expressão usada frequentemente no cinema ou teatro quando uma personagem de um filme ou peça interage com a audiência).

Quanto aos momentos de ação os mesmos são tudo menos contidos ou derivativos, são momentos de combate recheados de energia que se fazem valer da geografia em seu redor com bastante imaginação e também alguma violência, no entanto, á semelhança de desenhos animados como “Tom & Jerry”, esses momentos mais agressivos são na maior parte das vezes acompanhados por um aspecto cómico, o que dá menos impacto à asquerosidade da violência devido ao facto de ao mesmo tempo nos dar vontade de rir. No que diz respeito ás atuações, todos se encontram em sintonia com o tom do filme, Ryan Reynolds é sem duvida alguma o destaque no que diz respeito ao timing cómico e expressões faciais de Deadpool, mas se existe um fator que me surpreendeu bastante foi a química romântica com Vanessa (Morena Baccarin). A quantidade de filmes que não são do género romântico com que acertam na química entre as personagens principais contam-se pelos dedos, e Deadpool, sendo um filme de comédia com um sentido de humor anárquico e baseado numa personagem de Banda Desenhada, consegue ser um dos seletos filmes que acerta nessa fórmula. Sem grandes complicações para gerar drama desnecessário, os dois reagem ás diversas situações de forma credível sejam elas boas ou más, já para não falar no facto de que como personagem feminina, Vanessa dá logo indicações a partir do primeiro momento de conseguir tomar as suas próprias decisões e desenvencilhar-se sozinha sem ajuda de ninguém.

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Recomendação Final: Basta possuir uma leve tolerância ao género de humor praticado e à violência cómica e a diversão está garantida. Numa época em que os filmes de grande dimensão não arriscam ser para maiores de 18 devido ao risco de lucros menores, Deadpool supera as expectativas e é mais uma história de triunfo do empenho e dedicação por parte de toda uma equipa de produção que não deixa que os entraves económicos restrinjam a adaptação da propriedade intelectual e por isso merece todo o sucesso e mais ainda. Pode não ser perfeito, mas é sem dúvida um dos filmes mais hilariantes que tive o prazer de ver no cinema… a não perder.

Classificação final: ★ ★ ★ ★ ★ (5/5)

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