Os Deuses do Egipto por Ricardo Costa

Os-Deuses-do-Egipto-poster-nacional-1Sinopse: O filme é inspirado na mitologia clássica do Egipto e conta a história de um herói inesperado que surge quando a humanidade está ameaçada. O deus impiedoso Set (Gerard Butlerusurpou o trono do Egipto e mergulhou o império antes pacífico numa realidade de caos e conflito. Com apenas alguns opositores ao seu reinado, Set terá que enfrentar Bek (Brenton Thwaites), um mortal corajoso e desafiador que pede a ajuda do deus Hórus (Nikolaj Coster-Waldau) para uma improvável aliança contra o senhor do mal.

Análise: Começo por dizer que o marketing usado para vender este filme à audiência foi sem duvida alguma, qualquer coisa de atroz. Deuses personificados na sua forma física com o dobro do tamanho dos humanos que lutam entre eles e por vezes se transformam em imitações animalescas dos fatos do Homem de Ferro da MARVEL com efeitos especiais que deixam muito a desejar… enfim. No entanto podia ser o caso raro em que o trailer estaria a subvalorizar o filme, afinal de contas o realizador era Alex Proyas (“O Corvo” e “Cidade Misteriosa”), que embora já não realize um filme há vários anos, os que realizou sempre possuíram ambientes adequadamente soturnos e historias interessantes com elementos sobrenaturais muito bem caracterizados, poderia ser este um filme mais leve que não se leva a sério mas que consegue manter um argumento equilibrado com personagens bem delineadas? Poderia… mas infelizmente não foi isso que nos calhou, pois já em Março estamos perante um dos concorrentes a pior filme do ano.

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Vamos começar pelo bom. Os planos panorâmicos embora gerados por computador, são esplendorosos e proporcionando um ambiente característico no qual incluir toda a mitologia, assim como a banda sonora que se enquadra no tom aventureiro. Infelizmente ficamos por aqui no que diz respeito aos pontos positivos do filme, porque todo o resto apresenta uma qualidade por vezes deplorável. Começando pelo argumento, que tem mais incoerências do que um queijo suíço tem buracos, desde decisões de personagens que não fazem sentido nenhum até introdução de mitologia que vem do nada apenas para resolver situações mais complicadas em que as personagens se possam encontrar… resumindo (e digo isto sem qualquer exagero) bastava uma simples e lógica decisão de uma das personagens no inicio do filme, e os excruciantes 127 minutos seriam reduzidos a apenas 15, fora outras decisões que simplificavam e muito a demanda dos heróis. Parte dos atores faz o melhor que pode dadas as circunstâncias, no entanto algumas prestações são fruto de umas boas gargalhadas mas não pelas melhores razões. É impossível não rir quando vemos um Gerrard Butler a soltar inadvertidamente o seu sotaque escocês no meio de uma gritaria e Geoffery Rush a bater várias vezes com força no peito para aumentar sucessivamente o seu tamanho a cada batida, se bem que mais a frente ele consegue ficar do tamanho de um prédio instantaneamente por isso nem sei o porquê de bater no peito, mas pronto, o que eu quero dizer é que é tão ou mais ridículo do que eu faço parecer.

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É notório que a maior fatia do orçamento foi para os efeitos visuais, mas o que é surpreendente é que esses efeitos parecerem dispendiosos e ao mesmo tempo pouco cuidados já para não falar dos ângulos de filmagem que só pioram o aspeto do CGI, dá ideia que o responsável pela cinematografia esteve um dia inteiro a correr em volta da televisão enquanto estava a dar o “300” e decidiu que o efeito das translações em volta da ação era algo  de genial decidindo por isso reproduzir esse efeito nauseante para toda uma audiência contemplar. Embora existam alguns momentos “cómicos” com algumas piadas nos diálogos das personagens, não são esses os momentos que fazem rir, mas sim a palpável inaptidão na escrita que amaldiçoa este filme por completo, diálogos que originam cenas inteiras e que concluímos no seu final que para além de não terem feito evoluir a história, nenhuma das personagens aprendeu nada com o acontecimento e o constante diálogo de exposição que serve simplesmente para expor a audiência a complexa mitologia, tão complexa que a 10 minutos do fim ainda estão a ser introduzidos novos parâmetros importantes para o desfecho da história. No fim de contas, graças à fraca qualidade na edição do filme e à inclusão de personagens desnecessárias cuja presença deveria ter sido exonerada a fim de simplificar o filme, Os Deuses do Egipto comete o pecado capital de ser bastante aborrecido e o lacinho cor-se-rosa na cena final é o golpe de misericórdia nesta inexplicável catástrofe cinematográfica.

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Recomendação Final: À semelhança de um aparatoso acidente de viação em câmara lenta, Deuses do Egipto é um desastre que embora nos pareça horrendo, não conseguimos tirar os olhos do ecrã durante as morosas 2 horas da sua duração tal é o espanto quando nos apercebemos de que as falhas que presenciamos não foram intencionais e alguém pensava genuinamente que estava a fazer um bom trabalho com este filme. Todos os elementos de uma potencial aventura estão presentes, mas o tratamento dos mesmos dificilmente poderia ser mais desleixado e superficial.

Classificação final (1/5)

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