Doutor Estranho por Ricardo Costa

doutor_estranho_1Sinopse: A história do mundialmente famoso neurocirurgião Dr. Stephen Strange cuja vida muda para sempre depois de um horrível acidente de carro que lhe rouba o uso das mãos. Quando a medicina tradicional falha, é forçado a procurar pela cura e esperança num lugar improvável – um enclave misterioso conhecido como Kamar-Taj. Rapidamente descobre que este não é apenas um centro para a cura, mas também a linha da frente de uma batalha contra forças negras invisíveis determinadas a destruir a nossa realidade.

Analise: Como a homónima criação de Steve Ditko, Doutor Estranho tem tido algumas dificuldades ao longo dos anos no que diz respeito ás adaptações no cinema, pois sem contar com esta nova versão, já conta com 2 iterações em filme e nenhuma delas foi para o grande ecrã. Resumidamente temos uma versão em 1978 que quanto menos for dito sobre ela melhor e uma versão do estúdio “Full Moon” que perdeu os direitos de fazer um filme com a personagem, mas mesmo assim disseram “que se lixe” e criaram um filme de nome “Doctor Mordrid”. Tenho de considerar esta uma adaptação “não-oficial” porque é abusivamente semelhante à propriedade intelectual da MARVEL, o que significa que se existissem na altura os advogados que agora estão sediados na Disney, a história não teria corrido bem para o estúdio responsável pelo filme. Joaquin Phoenix esteve a dada altura como o potencial candidato para Doctor Strange neste novo filme, algo deveras surpreendente mas que caiu por terra devido a natureza contratual destas peliculas fazer com que o ator tenha menos espaço de manobra para perseguir outros projetos. Benedict Cumberbatch foi então o escolhido para o papel de mago supremo, o protagonista de mais uma aposta da MARVEL que mais uma vez já estava ganha mesmo antes das cartas estarem todas na mesa.

doutor_estranho_6Uma vantagem importante que Doutor Estranho possui em relação a muitos dos outros filmes da MARVEL, é o facto de possuir uma história de origem que não está assente em nenhum universo previamente estabelecido, o que significa liberdade para contar um argumento individual sem grande preocupação de se interligar com o restante franchise senão “a posteriori”, o que é um bónus para a audiência que não precisa de conhecimento prévio de nenhum dos outros 15 filmes do estúdio para apreciar esta aventura. Para a introdução ao universo da magia é estabelecido um momento em que é debitada a tradicional exposição não só para beneficio da personagem principal como também para a ausência ficar integrada nas regras desse mundo mágico, mas neste caso não só nos encontramos no mesmo patamar de desconhecimento que o protagonista, como essa exposição é nos entregue com a cortesia de exímios efeitos especiais que merecem elogios, pois em certos momentos almejam os visuais criados por Douglas Turnbull em filmes como “A Árvore da Vida” e “2001: Odisseia no Espaço” prestando assim uma grande homenagem aos visuais psicadélicos de Steve Ditko nas histórias por ele idealizadas na Banda Desenhada.

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A par com “Guardiões da Galaxia”, este é talvez o filme da MARVEL com a temática mais arriscada e os efeitos visuais, embora não consigam escapar à comparação obvia de “Inception”, merecem todos os louvores, pois numa altura em que todo o franchise dava sinais de repetição à base do “jogo pelo seguro” e mesmo existindo muitas parecenças físicas e psicológicas da personagem de Stephen Strange e Tony Stark, as novas adições ao universo beneficiam a saga e são muito bem vindas.
Apesar de todos os rumores iniciais sobre quem seria o melhor ator para o papel do mago supremo, coube a Benedict Cumberbatch a responsabilidade de protagonista e verdade seja dita que tanto ele como a maior parte do elenco parecem ter estado há espera por esta oportunidade, pois todos têm um despenho admirável com especial menção para Tilda Swinton e Cumberbatch. Mads Mikkelsen como vilão é particularmente interessante, principalmente no momento da confrontação de ideais com o protagonista onde as semelhanças entre os dois fica aparente e quase consegue quebrar a tradicional corrente de vilões medianos dos filmes da MARVEL, mas nem sempre sentimos que a ameaça por ele representada é realmente temível tendo em conta as forças aparentemente superiores do poder combinado dos heróis.

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O argumento evita complicações desnecessárias e segue um arco bastante literal,  mas a nível técnico existem alguns pontos importantes a ter em conta. Já referi os efeitos visuais que tirando um ou dois pequenos momentos são claramente cuidados e muito apelativos, no entanto, embora a edição pouco clara seja uma tendência habitual neste tipo de filmes, as ultimas duas iterações de “Capitão América” provam que nos momentos de combate físico entre as personagens é possível conseguir uma edição concisa. Em “Doutor Estranho” a edição nos momentos de contacto violento entre os atores parece não acontecer e quando acontece, sofre cortes frenéticos constantes, ficando por vezes uma tremenda confusão em espaços fechados, onde não sabemos se realmente o nosso herói está em domínio ou a ser subjugado, algo que é parcialmente compensado quando a ação decorre em espaços mais abertos. Para terminar, começo a notar a falta de uma banda sonora original que seja memorável. Com isto quero dizer que quando falamos em “Guerra das Estrelas”, “Indiana Jones” ou “Exterminador Implacável”, quase automaticamente vem-nos à cabeça o tradicional genérico de cada um desses filmes, algo que talvez possa com algum ser contrariado com algum custo em “Os Vingadores”, mas a cada filme que passa, está a assemelhar-se cada vez mais a uma oportunidade perdida de tornar este universo cinematográfico um tanto mais memorável.

Marvel's DOCTOR STRANGE..L to R: Mordo (Chiwetel Ejiofor) and Doctor Strange (Benedict Cumberbatch)..Photo Credit: Film Frame ..©2016 Marvel. All Rights Reserved.

Recomendação Final: O respeito à propriedade intelectual, com uma fiel história de origem e reprodução exímia dos desenhos psicadélicos de Steve Ditko, eleva “Doctor Strange” a um patamar que o torna bastante fácil de recomendar. Embora se notem algumas imperfeições na frenética edição, ganha pontos por se esquivar de muitos dos clichés presentes em outras aventuras da MARVEL e Benedict Comberbatch será certamente bem sucedido a cativar novas audiências com esta nova personagem.

Classificação final ★ ★ ★ (4/5)

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