Esquadrão Suicida por Ricardo Costa

suicide_squad_1 Sinopse: Reunir uma equipa com os mais perigosos, até agora encarcerados, Super Vilões do mundo, armá-los com o mais poderoso arsenal à disposição do governo e enviá-los numa missão para derrotar uma enigmática e invencível entidade: eis a missão que a agente Amanda Waller determinou só poder ser levada a cabo por um grupo secreto e variado de indivíduos desprezíveis, com pouco ou nada a perder – o Esquadrão Suicida.

Análise: A DC Comics não se encontra na melhor das posições no que diz respeito ao seu universo cinematográfico. Enquanto que os seus rivais directos continuam a sua invicta sequência de sucessos sem sinais de fraquejar, o estúdio que alberga algumas das personagens mais icónicas do género literário teima em não conseguir convencer na qualidade das adaptações. Muito favorável é a opinião do publico e dos fãs em geral e os ganhos de bilheteira também têm mostrado números bastante satisfatórios, no entanto na qualidade técnica e narrativa das adaptação para o grande ecrã tem deixado muito a desejar aquando o momento da apreciação critica da arte. Admito que sou uma voz dissidente no que diz respeito ao filme “Homem de Aço” onde se estreou Henry Cavil como Super-Homem. A nova história de origem é cativante e humaniza mais o herói com a ajuda de uma tremenda banda sonora que assenta em todos os momentos. No que diz respeito à destruição fortemente criticada, não me causa confusão pois é algo esperado quando falamos da ideia de alienígenas com poderes quase divinos a batalhar no planeta terra. Já com “Batman v Super-Homem” não pude ser tão condescendente devido aos inúmeros problemas do argumento, edição e elementos intrusivos de criação do universo a custo de uma narrativa coesa da história a ser contada, sendo alguns desses problemas resolvidos com a versão mais recente e extensa da película que nos leva a querer que a intrusão dos executivos terá causado alguns dos problemas com o filme. É num ponto semelhante que me encontro com “Esquadrão Suicida”, pois após ver o filme é notória a intrusão dos produtores que exigiram escolhas criativas inspiradas no sucesso de “Guardiões da Galáxia” e as alterações no argumento são óbvias para quem acompanhou o marketing desde o inicio, mas embora as falhas técnicas e narrativas estejam presentes, volto a ser a voz da minoria ao dizer que apreciei o filme pelo que é e que os pormenores negativos diminuíram mas não excisaram o divertimento.

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A chave para a minha nota positiva está assente maioritariamente nos actores e no cuidado com a caracterização das personagens principais. Viola Davis é genuinamente intimidante como Amanda Waller que reúne a equipa de criminosos e chega por vezes a ser quase um vilão perante os renegados. Will Smith surpreende com uma carismática representação de Deadshot, Margot Robbie é perfeita como Harley Quinn e as suas piadas por vezes forçadas fazem claramente parte da sua personalidade instável e inconsequente. Jay Courtney é uma caricatura australiana ambulante mas surpreendentemente, é uma competente caricatura australiana ambulante e surpresa também em Jay Hernandez como El Diablo cujo passado malogrado nos ajuda a compreender a renitência no uso dos seus poderes. Já Killer Croc é visualmente ameaçador e imponente mas podia ser um pouco mais bem trabalhado nas suas deixas e Enchantress protagonisa vários momentos e efeitos visuais bastante interessantes. Infelizmente existem duas personagens promissoras que não tiveram o seu devido tempo para brilhar: Katana tem um visual nipónico quase tirado de uma manga japonesa e ostenta uma espada que aprisiona as almas daqueles que vitíma (não percebo o porquê de não terem explorado mais esta premissa alucinante) e o Joker protagonisado por Jared Leto.O marketing do filme colocava o Joker como o possível antagonista e parece ter sido essa a intenção inicial, no entanto acabou por ser relegado quase ao lugar de figurante e as suas aparições totalizam cerca de 10 minutos de todo o filme. É uma pena para toda a audiência já que ao surgir a ideia deste filme com o Joker como personagem, a primeira pergunta que passou pela cabeça de todos foi como seria a prestação do promissor Jared Leto comparada com Jack Nicholson, Heath Ledger ou até Mark Hamill e infelizmente não vi o suficiente para o poder avaliar nesses termos comparativos, pois do filme sabemos apenas que parece ser chefe de um gangue, tem uma mentalidade psicopata e imprevisível e teve participação directa na origem de Harley Quinn… de resto, não tem motivações claras, nem filosofia que rege a sua maneira de ser, nem influencia no decorrer da trama principal. Deveras uma oportunidade desperdiçada de uma prestação que poderia ter elevado a qualidade do filme e que me faz desejar que saia muito em breve uma versão extensa do filme ou melhor ainda… uma versão do realizador, que nos permita ver realmente a visão original e o que estava realmente planeado para o Joker.

David Ayer é o realizador ideal para explorar material que se encontra numa área cinzenta no espectro moral. Em filmes anteriores por ele realizados, várias personagens podem ser heróis mas estão dispostos a cometer actos imorais que põem em causa o seu modelo exemplar, mas embora as interacções entre as diferentes personagens sejam a melhor parte do argumento, existem algumas decisões que não fazem muito sentido e parecem servir apenas para dificultar a missão dos anti-heróis. O problema conceptual está mesmo no facto de termos uma propriedade intelectual que pode levar anti-heróis numa jornada especificamente desenhada para eles e acabamos com uma trama bastante linear e genérica de enfrentar dúzias de indivíduos sem rosto até chegar ao verdadeiro mau da fita, mas os efeitos especiais e as cenas de acção na sua maioria são bem coreografadas e ajudam a diversificar os esses momentos mais derivativos. No campo técnico é que temos a prova da intervenção externa, possivelmente causada pelas criticas negativas a “Batman v Super-Homem”, que causaram a decisão de novas filmagens para “animar” mais o filme e nota-se perfeitamente que algumas cenas não se encontram editadas no local a que foram originalmente destinadas e as escolhas musicais, embora inspiradas, realçam mais que vários momentos da introdução foram re-editados.

Recomendação Final: As expectativas eram demasiado altas para este titulo e a nível técnico a insegurança que causou o envolvimento do estúdio é perceptível e podia ter afundado por completo o projecto tal como aconteceu com o ultimo “Quarteto Fantástico”, mas contrariamente a essa possibilidade, “Esquadrão Suicida” é salvo pelo carisma dos seus actores que interpretam as suas personagens de forma convincente e em conjunto com a acção e efeitos especiais, conseguem entreter a audiência o suficiente ao ponto de mascarar muitas das falhas técnicas e conceituais. Está no fio da navalha, mas pessoalmente, não me importava de vê-lo novamente.

Classificação final ★  (3/5)

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