Fear the Walking Dead | Novos detalhes da segunda temporada no canal AMC

Com a aproximação da data de estreia da segunda temporada de Fear the Walking Dead, a AMC Global divulga uma entrevista exclusiva com o produtor executivo e showrunner, Dave Erickson. Abordando o desenvolvimento dramático da série e algumas cenas da nova temporada no oceano, os detalhes de Erickson sobre esta produção sediada no México são revelados juntamente com o novo poster da série.

A segunda temporada de Fear the Walking Dead estreia em prime time, no dia 11 de abril, às 22h10.

FTWD-poster-1Na entrevista exclusiva que se segue, Dave Erickson revela detalhes inéditos da segunda temporada.

Pergunta: Em que é que “Fear the Walking Dead” se distingue de “The Walking Dead” e é possível ficar viciado no “Fear” sem ter visto “The Walking Dead”?

Dave Erickson: É realmente fácil, e não é necessário saber nada sobre o “The Walking Dead” para ficar viciado no “Fear”. Depois de falar com muitas pessoas – com atores, produtores e alguns espectadores – todos concordam que a forma como nos aproximamos da história significa que não necessitamos de qualquer conhecimento prévio da outra série. Estruturamos a série de tal forma que se for fã do grafismo original da narrativa e acompanhar “The Walking Dead”, reconhecerá imediatamente a mitologia e verá como as histórias se encadeiam. Contudo, irá apreciar ainda a abordagem diferente que o “Fear” assume; o seu ponto de vista distinto.

Na primeira temporada abordamos frequentemente a ideia que estávamos a cobrir o período em que Rick Grimes estava em coma. Os espetadores tiveram um vislumbre daquilo que ele perdeu. Partimos nos primeiros episódios da tomada de consciência dos personagens, da perceção que as coisas se estavam a desmoronar e que o mundo estava a mudar até à chegada da Guarda Nacional e até ficarem encurralados num campo de concentração. Acreditavam que a situação no mundo exterior estava a ser resolvida. Portanto, só no final é que perceberam que as coisas estavam mesmo a desmoronar-se profundamente.

Isso é que é extraordinário na segunda temporada: a bolha rebentou! Eles passaram de um aparente estado de segurança proporcionado pelos militares, para o confronto com a desolação e a destruição à sua volta. Portanto, o que esta família terá que interiorizar é o quão mal estão as coisas. Até que ponto se disseminou? É algo que está a dominar o país? O mundo? Isso coloca-os numa posição realmente interessante obrigando-os a aprender bastante sobre cada um deles e sobre a sua natureza, sobre o que estão preparados para fazer se as coisas avançarem de mal para pior – mas, até onde conseguirão ir para o colocar em prática?

Pergunta: Todas as famílias experienciaram perdas terríveis na primeira temporada. Isto vai uni-las na segunda temporada e ajuda-as a perceber como poderão sobreviver?

Dave Erickson: Bom, isso é interessante porque uma das coisas que era importante para Robert Kirkman quando começamos a desenvolver o drama era o tema da violência e como é que cada um dos personagens a iria experienciar. E não me refiro apenas à “morte” dos infetados mas sim à forma como cada um dos personagens reage quando são obrigados a abater uma pessoa.

No final da primeira temporada enfrentaram um bando de zombies e a maior parte (com a exceção de Travis, Chris e Alycia) tiveram que lutar com um dos infetados e abate-lo. Portanto, isso levanta a questão dos efeitos da violência e da moralidade de cada um – como irão processar tudo à medida que avançamos na segunda temporada?

Eles testemunharam ainda a queda de Los Angeles. As cenas em que viajam por uma LA desolada, abandonada e morta significam que deixaram a sua casa para trás. Perderam a sua casa, os seus amigos, os seus vizinhos e isso é catastrófico. Penso que inicialmente estão todos muito fechados e chocados, depois trata-se mais a relação que desenvolvem entre si, e claro, o seu relacionamento com a violência.

Agora, na segunda temporada, estão no barco do Strand, no ‘Abigail’, e penso que se aperceberão, rapidamente e à medida que avançam os primeiros episódios, que não foram as únicas pessoas com esta ideia brilhante. Não são os únicos que decidiram tornar-se refugiados de Los Angeles e aproveitar refúgio na água. Isso irá criar conflitos adicionais. Irá ter duas implicações: o que farão quando forem confrontados com infetados e o que farão quando confrontarem outros sobreviventes? Como será esta aproximação e onde reside o grande perigo?

Pergunta: Strand disse no final da primeira temporada: “A única forma de sobreviver a um mundo de mal é abraçar essa maldade.” Como é que isto se reflete na segunda temporada?

Dave Erickson: Penso que o grande tema da segunda temporada de “Fear” é que uma vez que se estabeleceu que o mundo realmente acabou, uma vez que se percebeu que não havia retorno, em que tipo de pessoa é que cada um dos personagens se tornaria? Serão capazes de se render a isso? Serão devorados e consumidos pelo apocalipse ou mudarão a sua natureza? Conseguirão continuar a lutar e a agarrar a sua humanidade?

Isto foi algo que iniciamos na primeira temporada, especificamente com Travis, e penso que continuaremos a vê-lo na segunda temporada. Uma das questões que a Liza e a Madison levantaram sobre o Travis, foi se ele tivesse que abater uma delas, isso iria destroça-lo. Penso que um dos temas mais interessantes desta temporada é se esse ato faz dele um homem destroçado ou se será capaz de se aguentar, não apenas por si mas principalmente pela Chris, que perdeu a sua mãe.

Na segunda temporada assistimos a um renascimento frágil mas violento e penso que será possível ver elementos dessa “maldade” em vários personagens – Nick, Travis, Daniel.

Pergunta: Falando em Daniel Salazar (interpretado por Ruben Blades), havia alguns momentos negros sobre o seu passado na primeira temporada. Haverá algo mais sobre isto desvendado na segunda temporada e como irá afetar a sua relação com a filha Ofelia (interpretada por Mercedes Mason)?

David Erickson: Na primeira temporada, percebemos que Daniel não era, definitivamente, um barbeiro humilde. A verdade é que cometeu atrocidades, alguns atos verdadeiramente violentos no seu passado. A sua mulher Griselda tinha conhecimento. Não sabia exatamente de todos os detalhes, mas tinha conhecimento. No entanto, estava disposta a apoiá-lo e a absolvê-lo, mas agora partiu. A sua filha Ofelia acaba de tomar conhecimento deste seu lado e faz o seu próprio julgamento. Ofelia passou grande parte da sua vida a proteger os pais imigrantes, sentindo que estavam um pouco atrasados, que eram do “velho mundo” e que lutavam para adaptar as suas vidas aos Estados Unidos.

Ela dedicou muita energia e tempo a tentar tomar conta deles e agora acaba por aperceber-se que eram bem mais capazes do que ela alguma vez pensou. Também se apercebeu de que não fazia nenhuma ideia de quem eram realmente os seus pais, ou quem é, de facto, o seu pai agora. Ela está a tentar descobrir, enquanto ele procura conseguir, da parte dela, alguma espécie de redenção e perdão.

Ela olha para o seu pai e para o que aconteceu à sua mãe e encara os pecados do pai. Emocionalmente, na segunda temporada, há uma quantidade enorme de situações a acontecer nesta família.

Pergunta: Há uma revelação de Nick (interpretado por Frank Dillane) no final da primeira temporada em que admite viver no seu próprio apocalipse como toxicodependente e que as outras pessoas estão agora a começar a aperceber-se. Qual a importância deste facto no desenvolvimento da personagem na segunda temporada?

Dave Erickson: É uma grande parte do seu desenvolvimento. No final da última temporada, Nick tem, essencialmente, um momento de clareza. Ele vê o mundo a desmoronar-se e, pela primeira vez está livre de drogas. Ele apercebe-se que é alguém que deveria ter morrido várias vezes na sua vida anterior e agora tem de perguntar a si próprio como e porque sobreviveu.

Julgo que ele tem um certo sentido de temor e fascínio. Está realmente intrigado sobre aquilo que se está a passar à sua volta, sobretudo com os mortos e por esta ideia de lhe ter sido dada uma segunda oportunidade neste mundo. Por ele ser mais apto a viver à margem, sente-se mais confortável neste novo mundo. Por isso, é uma oportunidade de olhar para o apocalipse através de um filtro que não vemos em mais lado nenhum. Ele teve uma experiência diferente sobre a pressão para sobreviver e agora tem um ponto de vista muito diferente.

Pergunta: Os infetados em “Fear” estão num estado menos deteriorado do que os zombies em “Walking Dead”. Como é que isto afeta a forma das personagens reagirem a eles?

Dave Erickson: Bem, nós vamos mais à frente na segunda temporada, por isso eles já se deterioraram e atrofiaram um pouco mais. Existem também outros factos e elementos. Estamos em água salgada no oceano e debaixo de um sol abrasador. Por isso, assistem a uma progressão no seu aspeto, mas, fundamentalmente, eles acabaram de se tornar os infetados e é muito difícil abater algum deles. Emocionalmente, isso tem o seu preço. Na verdade, estamos a humanizar a morte, e queremos continuar a mostrar o peso e a pressão das nossas personagens quando elas despacharam estas “pessoas”.

Algumas das nossas personagens continuam a querer reconhecer os infetados como tendo ainda algum grau de humanidade e talvez alguma inteligência ou compreensão. Tivemos a primeira horda de zombies no final da última temporada e teremos muitos mais infetados nesta temporada. No entanto, ainda queremos manter a ideia estabelecida por Robert, de que não queremos que os mortos se tornem apenas “carne para canhão”. Acho que isso acrescenta uma perspetiva real para a história que queremos explorar. Por isso, mesmo que pareçam mais deteriorados, queremos manter as suas qualidades humanas.

Pergunta: Porque é tão importante que os infetados não se tornem apenas “carne para canhão”?

Dave Erickson: O que é realmente interessante é que é possível projetar ansiedades, fobias ou algum outro medo nos mortos-vivos. No caso dos zombies, isto permite que tenhas a possibilidade de matar os teus medos. Acho mesmo que existe aqui uma espécie de catarse, na medida em que possibilita que termines, de uma forma permanente, com todas as coisas que odeias e tudo aquilo que te mantém acordado durante a noite.

Acho ainda que queremos evitar uma situação em que tenhamos apenas infetados a serem exterminados sem nenhum real impacto nas personagens. Fundamentalmente tem de estar a acontecer algo do ponto de vista emocional. Sempre que haja algum tipo de interação com os mortos, queremos assegurar-nos de que existe um propósito ou serve para desenvolver algum aspeto da personagem para a narrativa avançar. A violência deve prejudicar tanto as personagens que a estão a cometer, como os infetados que estão a ser atacados.

Pergunta: Como foi filmar no México?

Dave Erickson: Bem, temos uma equipa que é parte americana, ao lado de técnicos e artistas que vieram da Cidade do México, e vários colegas que estão a trabalhar localmente, em Baja. Foi uma produção gigante e, tanto quanto me lembro, em televisão, nunca foi feito nada antes com esta dimensão. Era um terreno novo para todos nós, argumentistas, realizadores, para todos os produtores e envolvidos. É, de facto, um sentimento muito compensador constatar que vamos dar à audiência uma experiência que nunca teve antes.

“Fear” é de facto uma série muito diversa e isso é extremamente importante para nós. Quando filmámos em Los Angeles, na zona Este de LA, explorámos locais nas redondezas que não aparecem frequentemente em televisão ou em filmes. No México continuámos o mesmo registo. Tem sido fantástico poder trabalhar com realizadores mexicanos, argumentistas, artesãos e Bernardo Trujillo, o nosso designer de produção, baseado na Cidade do México que tem sido extraordinário com a sua energia e única e inestimável perspetiva.

Acho que a diversidade está profundamente presente em toda a série. Temos um elenco incrível e uma equipa diversificada e isso, além de nos dar uma perspetiva fantástica, contribui para conseguir uma série muito rica.

Pergunta: Há mais alguma coisa que queira partilhar com os fãs sobre a nova temporada?

Dave Erickson: Acho que a questão mais intrigante é: todos sabemos que vamos estar num barco porque vimos isso no final da última temporada mas… para onde vão as personagens?
Penso que rapidamente perceberemos que o oceano não é mais seguro do que a terra e de que existe um diferente nível de adversidade e ameaça no mar. Isso força as personagens a focarem-se num destino. Mas qual será? A norte de Vancouver ou a sul do Cabo? Isto é um barco que tem uma capacidade incrível e um tanque cheio de gasolina, então, eles poderiam sair do Pacífico, percorrendo mais de 3000 milhas de distância ou até chegar ao Hawai. Nós podíamos até terminar com zombies no paraíso! (Risos).

Esta é a questão intrigante dos primeiros episódios da nova temporada, qual o porto que as personagens vão encontrar e como é que chegam até lá, será seguro ou não?

Produção executiva do showrunner Dave Erickson, Robert Kirkman, Gale Anne Hurd, Greg Nicotero e David Alpert, Fear the Walking Dead é protagonizado por Kim Dickens (Madison), Cliff Curtis (Travis), Frank Dillane (Nick), Alycia Debnam-Carey (Alicia), Ruben Blades (Daniel), Mercedes Mason (Ofelia), Lorenzo James Henrie (Chris) e Colman Domingo (Strand). A segunda temporada desta série da AMC está a ser produzida nos Baja Studios do México, sede de algumas das maiores produções cinematográficas dos últimos anos. A segunda temporada de “Fear the Walking Dead” conta com 15 episódios divididos em duas partes e começa com os sete primeiros episódios a estrear em abril e os restantes oito no decorrer de 2016. A primeira temporada, que alcançou grande êxito em todo o mundo, tornou-se na mais vista exibida em televisão por cabo nos EUA, terminou com Madison, Travis e o resto da família a ocupar o abrigo temporário do Strand com vista para o Oceano Pacifico. Enquanto a agitação civil crescia e os mortos dominavam Los Angeles, Strand preparava a fuga no “Abigail,” o seu grande iate.

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