Justiça Na Ponta De Uma Flecha

Arrow

Antes de se tornar o implacável caçador urbano mostrado em Arrow (cuja 4ª temporada estreia já em outubro), o Arqueiro Verde era visto como um Batman genérico, com um visual inspirado em Robin Hood.

Com as várias metamorfoses sofridas ao longo dos anos, a personagem foi adquirindo maior dimensão e substância, tornando-se uma referência no Universo DC.

Recapitulemos então o seu percurso desde a Idade do Ouro dos quadradinhos até à atualidade:

Nome original da personagem: Green Arrow
Criadores: Mort Weisinger (história) e George Papp (arte)
Licenciadora: DC Comics
Primeira aparição: More Fun Comics nº73 (novembro de 1941)
Identidade civil: Oliver Jonas Queen (Ollie para os amigos)
Parentes conhecidos: Robert e Moira Queen (pais falecidos), Robert Queen II (filho), Connor Hawke (filho), Roy Harper (filho adotivo) e Dinah Lance (ex-mulher)
Base de operações: Presentemente, Star City (Califórnia); em tempos a chuvosa Seattle, no estado de Washington, serviu-lhe de lar.
Afiliação: Ex-membro da Liga da Justiça da América, da Liga da Justiça Internacional e dos Renegados. É o líder da Equipa Flecha (Team Arrow, na versão original).
Armas, poderes e habilidades: Provavelmente o melhor arqueiro à face da terra, Oliver Queen é também um ginasta de nível olímpico e um caçador exímio. Atributos que, aliados à sua proficiência em diversas artes marciais, fazem dele um osso duro de roer mesmo quando tem pela frente oponentes dotados de superpoderes. Além do arco e das flechas (normais ou especiais) do seu arsenal fazem também parte sabres, catanas e espadas que ele maneja com excecional destreza. É frequente fazer-se transportar em motas de alta cilindrada.

Arqueiro Verde e Speedy entram em ação nas páginas de “More Fun Comics” nº73.

Perfil psicológico: Dono de uma personalidade dinâmica, Oliver Queen tem na paixão o seu combustível, embora tenha sempre dificuldade em encontrar o rumo certo para a sua vida. Nascido em berço de ouro, cresceu com pouquíssimas responsabilidades. Circunstâncias que fizeram dele um sujeito imaturo até à sua solitária estadia de 5 anos numa ilha desabitada. Nos primórdios da sua carreira de vigilante era retratado como um aventureiro que combatia o crime mais pela adrenalina que isso lhe proporcionava do que por imperativos morais. Só depois de perder a sua colossal fortuna adquiriu consciência social, passando a fazer eco de ideais de esquerda, nomeadamente a defesa do meio ambiente. Esta evolução amenizou o egocentrismo que até aí o havia caracterizado, tornando-o mais apelativo a uma nova safra de leitores mais politizados.

    Transformado em caçador urbano nos ano 90.

Origem: Com um longo histórico de publicação a remontar ao início dos anos 40, em várias ocasiões o Arqueiro Verde teve a sua origem retocada. Acabaria, no entanto, por vingar a história narrada aquando da sua reformulação já na Idade da Prata dos quadradinhos.

Nela, Oliver Queen era apresentado como um típico “playboy” milionário que numa noite de farra regada com muito álcool caiu do seu iate em alto mar. Conseguindo, porém, nadar até uma ilhota deserta ao largo da costa de Star City. Isolado do mundo, o jovem teve de fabricar um conjunto rústico de arco e flechas para caçar e pescar. Aprendendo dessa forma a sobreviver sem os confortos da civilização.

Certo dia, um navio ancorou ao largo da ilha e Oliver nadou até ele na esperança de ser resgatado. Deparou-se contudo com um violento motim a bordo. A tripulação fora sequestrada por piratas e, para a salvar, Oliver recorreu às habilidades que desenvolvera durante a sua permanência na ilha.

De volta a Star City, Oliver tomou a decisão de caçar criminosos nas horas vagas. Usando para isso uma fantasia em tons esmeralda inspirada no visual de Robin Hood, seu ídolo de infância. Entrava assim em cena o Arqueiro Verde.

Pouco tempo depois, Oliver adotou um jovem órfão chamado Roy Harper, que treinaria para ser seu adjunto. Speedy (celebrizado como Ricardito no Brasil) estava, pois, para o seu mentor como Robin estava para o Batman.

E essa era apenas mais uma característica em comum com o Homem-Morcego. Razão pela qual, anos depois, a DC decidiu arrancar-lhe de vez o rótulo de Batman genérico. Começando por privá-lo da sua fortuna. Devido à sua falta de interesse relativamente aos destinos das Indústrias Queen, Oliver foi vítima de um pérfido esquema que não só o levou à falência como arruinou a sua reputação no mundo dos negócios.

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                         Um Arqueiro Verde para o século 21.

Também o seu visual foi revisto: o seu traje ganhou linhas mais arrojadas e Oliver passou a ostentar um farto bigode e cavanhaque ao estilo de Errol Flynn. Para afastar as suspeitas de homossexualidade com o seu jovem pupilo (mais um ponto em comum com o Batman), o Arqueiro Verde passou a namorar outra vigilante mascarada. Ninguém menos do que a Canário Negro (com quem, de resto casaria, anos depois).

Capitaneada por Denny O’Neil (argumentos) e Neal Adams (desenhos), esta nova fase fez as delícias dos leitores. No entanto, com a saída da sua dupla criativa, a personagem perdeu novamente fulgor. Consequência imediata desse facto foi a quebra nas vendas do seu título mensal. Motivando assim um golpe de marketing que, como é usual acontecer em situações idênticas, consistiu em matar o herói. Para logo de seguida, como também é da praxe, apresentar um sucessor. Neste caso concreto coube ao filho de Oliver Queen, Connor Hawke, assumir o manto do Arqueiro Verde. Embora apenas temporariamente, dada a reação negativa dos fãs que exigiram o regresso do original. O que acabaria mesmo por acontecer com Oliver Queen a regressar do além-túmulo embrulhado num novelo narrativo.

Vivo e de boa saúde o Arqueiro Verde recuperou nos últimos tempos alguma da influência perdida na mitologia da Editora das Lendas. Tendo para isso muito contribuído a sua bem-sucedida série televisiva em exibição desde 2012 e que tem em Stephen Amell o astro principal.

Fazendo disparos certeiros que levam justiça instantânea na ponta de cada flecha, na TV como na BD, o Arqueiro Verde debate-se com o dilema ético de recorrer ou não à força letal na sua cruzada contra os malfeitores que infestam a sua cidade. Entretanto, a contagem de corpos e o número de fãs não cessam de aumentar…

Stephen Amell dá vida ao Arqueiro Verde no pequeno ecrã.

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