Quarteto Fantástico por Ricardo Costa

quarteto_fantastico_poster_ptSinopse: O jovem génio Reed (Miles Teller) e o seu amigo Ben (Jamie Bell), juntam-se a Sue (Kate Mara), Johnny (Michael B. Jordan) e Victor (Toby Kebbell) numa viagem interdimensional onde um terrível acidente tem lugar, resultando na alteração chocante das suas formas físicas. Agora os quatro elementos regressados terão de aprender a controlar os seus poderes para enfrentar aquele que foi outrora seu colega e ameaça agora toda a humanidade.

Análise: Em 1993 a MARVEL encontrava-se numa grave crise financeira, pelo que venderam os direitos de alguns dos seus super-heróis mais famosos a vários estúdios de cinema para assim terem algum retorno, entre elas conta-se atualmente por exemplo “Homem-Aranha” na SONY Studios e “Quarteto Fantástico” na 20th Century Fox. No entanto os contratos foram feitos com uma clausula que obriga os estúdios detentores das personagens a produzirem filmes sobre as mesmas com regularidade, caso contrário os direitos reverteriam para a MARVEL. Acontece que o prazo estava a terminar para a 20th Century Fox usar a propriedade dos 4 Fantásticos e, sendo o género dos super-heróis bastante rentável na atualidade, o estúdio de produção não poderia perder os direitos de um potencial franchise, nascendo aí a ideia deste enorme desastre. Um filme criado pelo simples motivo de manter uma marca, potenciar lucro a todo o custo e que durante a produção foi abalroado por problemas nas filmagens e interveniencia forçada dos produtores só podia resultar nisto.quarteto_fantastico_screen1Embora fosse enfurecer inevitavelmente muitos fãs, foi adotada uma abordagem mais contemporânea que lida com viagem interdimensional ao contrário da clássica exploração espacial, o que não seria má ideia, mas infelizmente, tirando o momento dramático de choque em que os recém heróis se apercebem do que lhes aconteceu (alegadamente uma das poucas coisas idealizadas pelo realizador), o argumento é básico, aborrecido e sem qualquer imaginação, dando origem a uma ideia do quão somítica terá sido a produção, colocando os nossos heróis nos espaços mais enclausurados possíveis com apenas 10 minutos (ou menos) em espaços abertos. São definidas regras para os poderes dos heróis e imediatamente descartadas em favor da conveniência assim como os momentos de amizade e rivalidade entre as personagens são abordados mas não têm qualquer resolução, o que é pena pois existem bons atores a aguardar direções experientes, no entanto são também eles vitimas de uma história por encomenda, onde encontramos umas personagens subdesenvolvidas e outras com flutuações de caráter completamente irrealistas.

As primeiras imagens e descrições do vilão fizeram soar alguns alarmes de preocupação, mas ao contrário do “Homem-Formiga”, esses medos eram bem fundamentados. Aquele que é discutívelmente o melhor vilão da banda desenhada MARVEL (um combinado de ditador, cientista louco e feiticeiro… a sério, é só escolher), Victor Von Doom é aqui reduzido a uma sombra do seu passado ser nas histórias de quadradinhos, aparecendo apenas a 10 minutos do fim, numa altura em que os argumentistas se terão esquecido de que eventualmente o quarteto iria precisar de uma batalha final contra um antagonista. E assim acontece… o vilão aparece, anuncia a destruição do planeta com uma motivação genérica, e tem lugar aquela que é talvez a batalha final mais anti-climática que já teve lugar numa adaptação de banda desenhada, onde o quarteto ataca individualmente o vilão, causando uma investida infrutífera, decidindo por isso trabalhar em equipa com o plano de… atacar individualmente o vilão, o que por alguma razão tirada sabe-se lá de onde, acaba por funcionar, terminando o filme com um lacinho cor-de-rosa e uma deixa final que dá vontade de ranger os dentes.quarteto_fantastico_screen2Recomendação Final: Quase tudo o que podia falhar neste filme falhou, desde a caracterização das personagens, motivações e diálogos, até aos ambientes e efeitos especiais sem grande qualidade. A primeira hora do filme podia bem ser reduzida em 45 minutos, não existe qualquer emoção, os ambientes fechados tornam o filme surpreendentemente aborrecido, os atores parecem perdidos e o argumento não lhes dá nada para fazer. Existem ténues indícios de boas ideias mas o filme colapsa sobre o peso massivo das suas diversas faltas, algo que por mais triste que seja, não consigo deixar de achar merecido tendo em conta o motivo da produção do filme. Tudo menos fantástico.

Classificação final: ★ (1/5)

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